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A segunda vinda de Cristo à Terra (2015)

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A segunda vinda de Cristo À Terra (2015)

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A segunda vinda de Cristo à Terra (2015)

Sinopse

Cristo regressa à Terra.
Depois de conhecer a activista Madalena que luta por um mundo melhor, ver-se-á envolvido em três situações de conflito.
Em São Martinho da Horta conhece o grupo ecologista radical -Verdes são os campos, que pretende destruir uma plantação de milho que supõe geneticamente modificada. Depois, em Vilar de Mochos, assiste à revolta dos habitantes contra um empreendimento turístico que vai ser construído numa reserva florestal. Por fim, no bairro da Europa, testemunha o conflito armado entre negros e ciganos.
Neste périplo irá conhecer vários personagens: os referidos ecologistas, um padre que o obriga a confessar-se, um autarca corrupto, empreiteiros sem escrúpulos, um Comandante da GNR obrigado a fazer de Pilatos, os habitantes de um bairro degradado, um bruxo, e um negro e uma cigana apaixonados.
Porém, conquanto se limite a acompanhar Madalena, tentando apenas pacificar os desavindos, nem assim Cristo volta a escapar à fúria dos homens.
E apenas um farsante o irá reconhecer.
Mediante a ironia e o sarcasmo a Segunda Vinda de Cristo à Terra aborda fenómenos de conflitualidade social e política que ocorreram no nosso país.
Mas no fim é Portugal quem acaba posto na cruz.

Prémios

Gold medal in the 2020 Indie Reader Awards

Silver medal in the 2017 Global Ebook Awards

Bronze medal in the 2017 Reader’s Favorite Awards

Siliver medal in the 2017 Independent Press Awards

Silver Medal in the 2017 New Aple Book Awards

Silver medal in the 2016 Hungry Monster Review

Silver medal in the 2017 Feathered Quill Book Awards

Silver medal in the 2015 Latino Book Award

Finalist in the 2017 Indie Book Awards

Finalist in the 2017 Independent Book Awards

Finalist in the 2017 Chanticleer Book Awards

Book of the year 2016 for Latina Book Club

Excerto

“Na manhã seguinte caminhavam pelo bairro quando começaram a ouvir um barulho estranho. Guiados pelos ouvidos, avançam nessa direcção. O ruído bruto refinou-se primeiro num ronco atroador e depois em dois rosnados distintos. Uma luta de animais estava prestes a suceder.
– Ouvi dizer que há combates de cães nestes bairros – disse Madalena, constrangida.
– Quem é que organiza tal selvajaria? – perguntou-lhe Jesus.
– Não sei, fala-se em apostas clandestinas, máfias, alguns polícias envolvidos. As televisões às vezes conseguem filmar, mas nunca ninguém é apanhado. No fim aparecem cães quase mortos no veterinário.
Jesus acelerou a passada, sem mais nada dizer. Madalena teve dificuldade em acompanhá-lo.
Descobriram então que a barulheira vinha do pátio de um edifício. Atravessaram um pequeno túnel e entraram nesse espaço. Diante deles, dois rapazes e dois cães. De frente um para o outro, como se tratasse de um duelo onde os cães substituíam as armas, seguravam as suas feras a curta distância enquanto as iam acirrando. À sua volta não havia ninguém, vazio o pátio de cimento. Madalena percebeu o que se passava: não era ainda o combate com apostas, mas apenas um treino. Como dois competentes treinadores, os rapazes preparavam os seus cães para a grande competição. E nada melhor para preparar um lutador do que forçá-lo a lutar.
– Parem com isso! – gritou.
Os rapazes olharam para ela.
– Cala-te puta, senão solto-te o cão – ameaçou um deles.
E voltaram a concentrar-se na sua tarefa, dando agora palmadas fortes no lombo dos cães. De repente largaram-nos e os animais lançaram-se desvairados um contra o outro. O embate deu-se com as patas dianteiras, que se esgrimiram enquanto as bocas tentavam cravar os dentes nos pescoços. Um dos cães conseguiu morder a parte lateral do focinho do outro, enquanto este lhe ferrava a queixada. Ambos regressaram ao solo ensanguentados, parecendo agora siameses unidos pelas cabeças. E o intenso rosnar transformou-se num gemido raivoso.
– Espera aqui – diz-lhe Jesus.
E Madalena descobriu-lhe de novo no rosto a expressão autoritária que a havia atemorizado no sonho do laboratório. Jesus começou então a avançar até ao centro do pátio, fazendo o solo percutir a cada passo. Mal se aperceberam que um estranho se aproximava, os rapazes prepararam-se para o enfrentar. Um sacou de uma navalha e o outro agarrou a soqueira que tinha no bolso. – Põe-te a mexer, senão…. Mas, no momento em que o fitaram, quedaram-se ainda mais assustados do que Madalena. Ainda Jesus não estava a cinco metros deles quando começaram a fugir, abandonando os cães. À janela de um apartamento assomou um morador que logo se desinteressou de mais uma altercação no bairro.
Um dos cães, um Dogue Argentino traçado com Bull Terrier, tinha agora as patas sobre o seu adversário, um Rottweiler puro, e os dentes cravados muito perto do pescoço. Sendo um branco e o outro preto, estavam ambos tingidos de uma cor ferrugenta.
Jesus afagou-lhes o pelo com muito suavidade, acariciou-os atrás das orelhas, mas os cães continuaram engalfinhados. Depois deitou-lhes as mãos ao cachaço e começou a tentar separá-los. Com puxões enérgicos fazia os cães abanar e estremecer sem no entanto os conseguir apartar. Chegou a levantar à altura dos ombros aquela massa de carne que se devorava sem qualquer resultado também. Pelo contrário, a sua intervenção acirrou-os ainda mais. O Rottweiler conseguiu abocanhar a pata do Dogue Argentino arraçado e parecia prestes a arrancá-la.
– Deixa-me ajudar-te – gritou ao longe Madalena.
– Deixa-te estar aí – ordenou.
Jesus largou então os cachaços dos cães, elevou os braços, cerrou os punhos e deixou-os cair nas suas cabeças. Ouviu-se um baque de ossos a estalar e os animais tombaram fulminados. O cão branco ficou caído de lado e o preto de patas para o ar. No cimento havia salpicos de sangue.
Madalena veio a correr ter com ele.
– Mataste-os?
Em vez de responder, Jesus ajoelhou-se e voltou a colocar as mãos nos animais. Desta vez no peito, junto ao coração. Esteve assim alguns segundos e, de súbito, os cães levantam-se de um salto e saem disparados com o rabo entre as pernas.
– Estavam apenas desmaiados – disse Jesus.
– Não sabia que praticavas artes marciais. Podias ter feito isso ao Judas.”

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Cristo regressa à Terra.
Depois de conhecer a activista Madalena que luta por um mundo melhor, ver-se-á envolvido em três situações de conflito.
Em São Martinho da Horta conhece o grupo ecologista radical -Verdes são os campos, que pretende destruir uma plantação de milho que supõe geneticamente modificada. Depois, em Vilar de Mochos, assiste à revolta dos habitantes contra um empreendimento turístico que vai ser construído numa reserva florestal. Por fim, no bairro da Europa, testemunha o conflito armado entre negros e ciganos.
Neste périplo irá conhecer vários personagens: os referidos ecologistas, um padre que o obriga a confessar-se, um autarca corrupto, empreiteiros sem escrúpulos, um Comandante da GNR obrigado a fazer de Pilatos, os habitantes de um bairro degradado, um bruxo, e um negro e uma cigana apaixonados.
Porém, conquanto se limite a acompanhar Madalena, tentando apenas pacificar os desavindos, nem assim Cristo volta a escapar à fúria dos homens.
E apenas um farsante o irá reconhecer.
Mediante a ironia e o sarcasmo a Segunda Vinda de Cristo à Terra aborda fenómenos de conflitualidade social e política que ocorreram no nosso país.
Mas no fim é Portugal quem acaba posto na cruz.

Prémios

Gold medal in the 2020 Indie Reader Awards

Silver medal in the 2017 Global Ebook Awards

Bronze medal in the 2017 Reader’s Favorite Awards

Siliver medal in the 2017 Independent Press Awards

Silver Medal in the 2017 New Aple Book Awards

Silver medal in the 2016 Hungry Monster Review

Silver medal in the 2017 Feathered Quill Book Awards

Silver medal in the 2015 Latino Book Award

Finalist in the 2017 Indie Book Awards

Finalist in the 2017 Independent Book Awards

Finalist in the 2017 Chanticleer Book Awards

Book of the year 2016 for Latina Book Club

Excerto

“Na manhã seguinte caminhavam pelo bairro quando começaram a ouvir um barulho estranho. Guiados pelos ouvidos, avançam nessa direcção. O ruído bruto refinou-se primeiro num ronco atroador e depois em dois rosnados distintos. Uma luta de animais estava prestes a suceder.
– Ouvi dizer que há combates de cães nestes bairros – disse Madalena, constrangida.
– Quem é que organiza tal selvajaria? – perguntou-lhe Jesus.
– Não sei, fala-se em apostas clandestinas, máfias, alguns polícias envolvidos. As televisões às vezes conseguem filmar, mas nunca ninguém é apanhado. No fim aparecem cães quase mortos no veterinário.
Jesus acelerou a passada, sem mais nada dizer. Madalena teve dificuldade em acompanhá-lo.
Descobriram então que a barulheira vinha do pátio de um edifício. Atravessaram um pequeno túnel e entraram nesse espaço. Diante deles, dois rapazes e dois cães. De frente um para o outro, como se tratasse de um duelo onde os cães substituíam as armas, seguravam as suas feras a curta distância enquanto as iam acirrando. À sua volta não havia ninguém, vazio o pátio de cimento. Madalena percebeu o que se passava: não era ainda o combate com apostas, mas apenas um treino. Como dois competentes treinadores, os rapazes preparavam os seus cães para a grande competição. E nada melhor para preparar um lutador do que forçá-lo a lutar.
– Parem com isso! – gritou.
Os rapazes olharam para ela.
– Cala-te puta, senão solto-te o cão – ameaçou um deles.
E voltaram a concentrar-se na sua tarefa, dando agora palmadas fortes no lombo dos cães. De repente largaram-nos e os animais lançaram-se desvairados um contra o outro. O embate deu-se com as patas dianteiras, que se esgrimiram enquanto as bocas tentavam cravar os dentes nos pescoços. Um dos cães conseguiu morder a parte lateral do focinho do outro, enquanto este lhe ferrava a queixada. Ambos regressaram ao solo ensanguentados, parecendo agora siameses unidos pelas cabeças. E o intenso rosnar transformou-se num gemido raivoso.
– Espera aqui – diz-lhe Jesus.
E Madalena descobriu-lhe de novo no rosto a expressão autoritária que a havia atemorizado no sonho do laboratório. Jesus começou então a avançar até ao centro do pátio, fazendo o solo percutir a cada passo. Mal se aperceberam que um estranho se aproximava, os rapazes prepararam-se para o enfrentar. Um sacou de uma navalha e o outro agarrou a soqueira que tinha no bolso. – Põe-te a mexer, senão…. Mas, no momento em que o fitaram, quedaram-se ainda mais assustados do que Madalena. Ainda Jesus não estava a cinco metros deles quando começaram a fugir, abandonando os cães. À janela de um apartamento assomou um morador que logo se desinteressou de mais uma altercação no bairro.
Um dos cães, um Dogue Argentino traçado com Bull Terrier, tinha agora as patas sobre o seu adversário, um Rottweiler puro, e os dentes cravados muito perto do pescoço. Sendo um branco e o outro preto, estavam ambos tingidos de uma cor ferrugenta.
Jesus afagou-lhes o pelo com muito suavidade, acariciou-os atrás das orelhas, mas os cães continuaram engalfinhados. Depois deitou-lhes as mãos ao cachaço e começou a tentar separá-los. Com puxões enérgicos fazia os cães abanar e estremecer sem no entanto os conseguir apartar. Chegou a levantar à altura dos ombros aquela massa de carne que se devorava sem qualquer resultado também. Pelo contrário, a sua intervenção acirrou-os ainda mais. O Rottweiler conseguiu abocanhar a pata do Dogue Argentino arraçado e parecia prestes a arrancá-la.
– Deixa-me ajudar-te – gritou ao longe Madalena.
– Deixa-te estar aí – ordenou.
Jesus largou então os cachaços dos cães, elevou os braços, cerrou os punhos e deixou-os cair nas suas cabeças. Ouviu-se um baque de ossos a estalar e os animais tombaram fulminados. O cão branco ficou caído de lado e o preto de patas para o ar. No cimento havia salpicos de sangue.
Madalena veio a correr ter com ele.
– Mataste-os?
Em vez de responder, Jesus ajoelhou-se e voltou a colocar as mãos nos animais. Desta vez no peito, junto ao coração. Esteve assim alguns segundos e, de súbito, os cães levantam-se de um salto e saem disparados com o rabo entre as pernas.
– Estavam apenas desmaiados – disse Jesus.
– Não sabia que praticavas artes marciais. Podias ter feito isso ao Judas.”